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Aos 13, 14 anos de idade, fui amigo de outro jovem com elevado espírito de liderança, cuja índole pode ser vista na seguinte passagem: Morávamos no Conjunto Residencial do IAPC, em Irajá, às margens da Avenida Brasil, um na Rua 12 e outro na Rua 13 e, cada um, possuía a sua própria turma de amigos. Certa feita, este outro jovem ao trilhar por um pântano que existia entre os conjuntos do IAPC e do IAPI (os amarelinhos), encontrou um cavalo combalido por enorme ferida no dorso, com cerca de 25 cm de comprimento por 8 cm de profundidade, repleta de bernes que infestavam a carne do animal. Compadecido, aquele jovem recolheu o animal para uma área livre do conjunto, ao lado do bloco em que residia e incansavelmente, durante uns 10 (dez) dias, comprou-lhe remédios e efetuou a assepsia do ferimento, restaurando-lhe, quase plenamente, a saúde. Na verdade, só não o fizera totalmente porque, antes que lhe completasse a cura, apresentou-se o dono que, há algum tempo, estava a sua procura. Imediatamente, sem qualquer pestanejar, aquele jovem entregou o animal e todo o medicamento que ainda restava para que o dono continuasse o tratamento, sem cobranças ou promessas de recompensa pelo seu inestimável feito, dando-se por satisfeito com a simples recuperação do animal. Pelo dito, torna-se evidente a ótima índole e o profundo sentimento fraterno daquele jovem líder, hoje conhecido como GREGÓRIO, O GORDO, Chefe do Comando Vermelho. Esta passagem fora colocada para demonstrar que, mesmo aqueles cuja índole pode ser considerada exemplar, pode trilhar os caminhos repudiados pela sociedade, induzidos que são pelos fatos da vida que não são iguais para todos e, para muitos, se faz repletos de pedras e espinhos. No caso em pauta, talvez não fossem as pedras e os espinhos as setas para o descaminho mas, tão somente, um espírito de liderança que afluía sem o respaldo de conhecimentos mais profundos ou canalizações adequadas. Todavia, o que era puro se tornou inadequado e a liderança que poderia ser produtiva se tornou hedionda aos olhos da sociedade. Diz a lógica que, o homem é fruto do meio e, se compomos este meio, não seremos culpados pelos frutos inadequados ?!! A verdade é que estamos voltados para a nossa própria existência, limitados pelo id ao egocentrismo que nos afasta da fraternidade, do bem maior que atende a todos e não exclusivamente ao nosso individualismo. Esta é a nossa natureza, ambígua no que desejamos ao próximo e no que desejamos à nos mesmos pois a justiça que desejamos para nós, repleta de compreensão, é diametralmente oposta à justiça que desejamos para terceiros, do olho por olho de Talião. Nesta proposta sugiro que as penas sejam impostas levando-se em conta a nossa própria culpa e dando-se ao indivíduo delituoso a oportunidade que jamais tivera, da seguinte forma:
Indubitavelmente não serão poucos aqueles que se insurgirão contra estes princípios, quer seja sob o manto do humanismo quer seja sob a cortina dos princípios religiosos. Todavia, acreditar que o atual sistema penal é suficiente para recuperar o indivíduo delituoso é, no mínimo, querer espicaçar a verdade com o estilete da ironia ou da mais completa ignorância dos fatos. O atual sistema penal é, sem dúvida, a verdadeira escola da marginalidade e do embrutecimento total da personalidade, tornando irrecuperáveis aqueles que cometeram pequenos delitos e que, por força do regime de se tornarem "leões", para não servirem de "ovelhas", passam a ver a sociedade como uma redoma impregnada de preconceitos contra a sua existência individual e soberana e, desta forma, só lhes resta o revide cruel e frio dos que se consideram injustiçados. Será que o latrocínio, o homicídio, o rapto seguido de morte, cometidos por indivíduos sem a menor cultura, são realmente mais hediondos que o crime do colarinho branco, no qual um indivíduo com enorme acervo cultural se apropria dos bens alheios pela manipulação fraudulenta das Leis ?!! Pessoalmente, acredito no oposto, o de colarinho branco é bem mais canalha do que os outros. |
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