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O panorama econômico nacional é, deveras, indescritível. Embora cobiçado pelas principais potências mundiais, pelas suas amplas e variadas reservas minerais, biológicas, hídricas, e de potencial agro-pecuário, o Brasil parece hibernar em seu berço esplêndido, sem a menor intenção de, um dia, acordar. Como se não bastasse, enquanto a maior potência do planeta sobretaxa os nossos calçados e o nosso suco de laranja, o Brasil, com base nesta riqueza não explorada, abre os portos às "nações amigas" para a importação de toda e qualquer bugiganga, em total afronta e detrimento da produção nacional. Décadas e décadas se passaram, com o cinto no último furo, nas quais, conseguimos construir uma infra-estrutura de exploração de nossas jazidas, de tratamento de nossos minerais estratégicos, de construção de um parque industrial que fora capaz de construir aviões, enriquecer o urânio, substituir a gasolina pelo álcool e gerar constantes superávits na balança comercial, elevando-nos à condição de 8a (oitava) economia mundial que, desta forma, despertava a esperança de um futuro mais promissor para todos, inclusive, para as mais desassistidas camadas sociais. No entanto, de uma hora para outra, desmoronam-se os castelos e, as suas áreas, são "liberalmente" entregues ao domínio estrangeiro por qualquer badulaque como se, criminosos de guerra, merecêssemos tal retaliação. O potencial brasileiro não mudara, muito pelo contrário, enquanto outras nações digladiavam-se, erodindo o patrimônio antes construído, o Brasil, em sua vocação pacífica, aumentava o seu quinhão. Desta forma, resta-nos refletir sobre o que induzira tal desventura, a ponto do País entregar todo o seu patrimônio a preços vis, sob uma estabilidade que só existiu por conveniência daqueles que, encontrando uma moeda pseudo-forte, despenderam ainda menos no ataque ao nosso patrimônio. E a prova disto, veio a seguir pois, tão logo foram entregues inúmeras estatais, as nossas siderúrgicas, a nossa Vale do Rio Doce com todo o seu acervo estratégico; a tão propalada paridade cambial mergulhara em uma desvalorização de 70% (setenta por cento), voltando a estabilizar-se, apenas, com a constatação, pelas principais potências, de que, a índole pacífica do brasileiro, "beira à passividade", e logo retornaram os investimentos de olho em nossa Petrobrás, em nosso Banco do Brasil, em nossa Caixa Econômica Federal e em mais algumas empresas que escaparam do saque anterior. O pior é que, ao acumularmos uma dívida interna e externa que ultrapassa os US$.800.000.000.000,00 ( oitocentos bilhões de dólares ), afastamos de vez a possibilidade de que um estadista sério tome a presidência da república para corrigir tão desvairados rumos pois, não há como administrar o caos, se nem mesmo os ativos nacionais que poderiam gerar receitas e divisas estão mais em nossas mãos, de tal forma que, nos Estados Unidos da América do Norte, já se prega abertamente a entrega da Amazônia, como se este não fosse uma País soberano mas, tão somente, uma nação indígena qualquer. Todavia, a experiência mostrou-me que, na verdade, os ditos países desenvolvidos não passam de verdadeiros castelos de areia, e que basta soprar no lugar certo e toda esta arrogância se esvai. Como encarregado de importação e exportação de uma multinacional, pude observar que o maior propósito daquelas empresas no terceiro mundo é o de manter o mercado cativo para a produção de suas matrizes pois, foram construídas, para explorar o mercado de origem e os países cativos de sua economia. De tal forma que, basta o terceiro mundo, em uníssono, colocar preço em seus produtos primários, abortando as importações e voltando-se para seus mercados internos, que aquelas estruturas superdimensionadas implodem sob o peso de seus custos fixos, tão superdimensionados quanto suas estruturas físicas. Por outro lado, ao voltarem-se para seus mercados internos, tornam-se viáveis economicamente com o incremento da produção e o subseqüente desenvolvimento tecnológico pois, sem a concorrência desleal dos componentes fabricados em larga escala pelos ditos países desenvolvidos e montados pela mão-de-obra escrava dos países asiáticos, terão, com uma reforma tributária que induza o investimento na produção, o retorno garantido para as suas aplicações. No caso do Brasil, tecnologia não nos falta, tanto que, na época em que pretendíamos importar 2 (dois) super computadores, os EUA nos impediam sob a esfarrapada desculpa de que poderíamos desenvolver hélices silenciosas para os submarinos ou desenvolver ligas metálicas que viabilizassem a construção de mísseis balísticos nucleares ou químico destrutivos. Todavia, quando a UNICAMP desenvolveu o CHIP ÓTICO, elevando o processamento para a velocidade da luz, aquele país imediatamente elaborou um acordo de cooperação tecnológica, no qual, trocávamos os tão proibidos super computadores pela informação tecnológica do citado CHIP. O que falta à nação brasileira, na verdade, é respeito próprio, é iniciativa e objetividade por parte dos brasileiros e não apenas de seus governantes pois, não existirá, jamais, equipe competente o suficiente para levar nas costas um país continente como o Brasil. Da mesma forma, em um moto-contínuo, jamais teremos um parlamento e um executivo da mais cristalina integridade pois não podemos extrair nata, de um leite composto apenas pelo soro. Se o leite é fraco, não existirá nata.
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