A Viloência

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ORIGENS DA VIOLÊNCIA

As vezes me considero estranho pois, já em tenra idade, enquanto os outros riam à vontade, sentia a mais profunda repulsa pelos desenhos de Tom e Jerri, bem como, o mais profundo desprezo pelos desenhos do Coelho Ricochete. 

O primeiro, repleto de atitudes sádicas entre os participantes que não poupavam esforços e não perdiam oportunidades para aprontar alguma com o seu rival, como se a vida se restringisse a tão ignominiosos feitos.

O segundo, impregnado de um besteirol, no qual, uma bala atirada em qualquer direção sempre alcançava o seu objetivo, quer fosse por um infindável ricochetear, quer fosse pela inteligência da bala que voltava no espaço para alcançar o seu objetivo.

Hoje, com o avançar da idade, vislumbro o quão nocivo são aqueles filmes que incutem, na grande maioria, um sentimento de perversão para com o próximo ou de inconseqüência no trato com as armas e pergunto, serão na verdade aqueles desenhos próprios para uma infância que se pretende produtiva ou serão, na verdade, uma das origens para tanto sadismo e imprudência em nossa sociedade ?!!

No que diz respeito às armas, vale lembrar que o seu desenvolvimento dera-se em função da opressão dos mais fortes pois, os fortes não precisam de armas para oprimir os fracos e, somente os fracos se escudam naqueles instrumentos.

O homem moderno tornou-se sedentário, não precisando caçar o alimento ou a reprodução senão por meio de seus bens patrimoniais, reduzindo o seu poder de combate e convertendo-se em simples caça aos predadores dos bens alheios.

Anteriormente, estes predadores utilizavam as lutas marciais para subjugar os seus oponentes, até que surgiram as armas de fogo, das quais não se exige destreza física mas, tão somente, a necessidade da auto defesa ou da defesa de terceiros.  

A Lei, em qualquer sociedade desenvolvida, prevê o uso das armas como sendo instrumento próprio na legítima defesa e, face as relações entre as nações, determinam, ainda, o adestramento do cidadão no uso destas armas para a defesa do berço pátrio, tornando-os aptos ao porte e uso destas armas.  

Contudo, os desvios da personalidade impõem que o porte seja dado, apenas, aos indivíduos supervisionados pelo estado, como as polícias, os militares e os que exercem funções de justiça e segurança.

No entanto, os baixos salários e a morbidez do serviço policial leva, àquelas corporações, os mais inabilitados indivíduos, como o exemplo recente em que um policial avançara sobre um meliante com uma refém e acabara, ele mesmo, matando a refém no lugar do meliante, mostrando quão falhas são estas corporações e quão falhos são os indivíduos que as compõem pois, num arroubo egocêntrico e de posse de uma arma que não dominava, suprimiu a vida que era mais cara, da refém inocente.

Daí surgem alguns políticos, líderes comunitários e religiosos, defendendo a total erradicação das armas, como se a nossa sociedade fosse a pérola do ecumenismo e que a boa vontade imperasse em nosso meio.

Só a total incompetência no uso das armas ou a mais obscura intenção, pode embasar o pensamento destes indivíduos pois os marginais continuarão a utilizá-las e os mais fracos não terão como se defender.

Acreditar nas corporações policiais, das quais, um indivíduo utiliza uma sub-metralhadora para aparecer e suprime a vida de uma refém inocente sem o menor constrangimento, é desconhecer o estado falimentar de nossa sociedade no que diz respeito aos fatores econômicos a que fôramos levados ou, no mínimo, é tentar garantir a própria sobrevivência como predador em frente à presa desarmada.

Em resumo, só a estupidez ou a intenção escusa, pode justificar tais pensamentos.

 

 

 

 

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